Segunda, 16 de
julho de 2007 Lançado
"PC verde" que gasta menos energia
John Markoff
Noah Berger/The New
York Times
Gregoire Gentil, da Zonbu, segura uma pilha
com oito de seus "PCs verdes" em Palo Alto,
na Califórnia
Computadores pessoais por assinatura não são
novidade, e nunca foram idéia popular, mas Gregoire
Gentil e Alain Rossmann acrescentaram um toque ecológico
ao conceito. Neste trimestre, os dois começaram a vender
um computador acionado por uma versão simplificada do
sistema operacional Linux, ao preço de US$ 99 e mais uma
taxa mensal de US$ 12,295. Eles dizem que a oferta é
melhor do que parece porque o computador de 15 watts
pode resultar em até US$ 10 de economia na conta mensal
de eletricidade, se comparado a um computador normal, de
20 watts.
A empresa que eles criaram se chama Zonbu, e o
computador Zonbu será vendido por meio do site www.zonbu.com.
Os criadores da empresa dizem que a máquina representou
a melhor certificação possível do Green Electronics
Council, uma organização sem fins lucrativos que criou
um padrão de classificação de produtos conhecido como
Electronic Product Environmental Assessment Tool (Epeat,
ou ferramenta de avaliação ambiental de produtos).
A designação tem por objetivo ajudar os consumidores
a realizar escolhas informadas na compra de equipamentos
de computação, e encorajar os fabricantes de eletrônicos
a construir produtos que propiciem maior eficiência
energética e exerçam menor impacto sobre o
meio-ambiente.
A Zonbu anunciou que seu produto seria o primeiro
computador de mesa a receber a classificação ouro. O
computador tem o tamanho de uma caixa de charuto e usa
um microprocessador da VIA Technologies, de Taiwan. A
máquina vem equipada com quatro gigabytes de memória
flash em lugar de um disco rígido, uma peça mecânica
giratória que consome boa parte da energia de um
computador pessoal. O computador tampouco está equipado
com um ventilador, outro componente que usa muita
energia.
O computador Zonbu também usa uma versão Gentoo do
sistema operacional Linux, e virá equipada com diversos
aplicativos, como o browser Mozilla Firefox, o serviço
Skype de telefonia via Internet, o pacote de escritório
OpenOffice e muitos jogos. Outros 25 gigabytes de espaço
online gratuito para armazenagem estão disponíveis, e os
usuários poderão adquirir mais espaço caso necessitem.
Gentil, presidente-executivo da empresa e engenheiro
de computação formado pela Universidade Stanford, disse
que a idéia para a empresa lhe ocorreu devido à
frustração que sentia quanto à necessidade de prover
extensa assistência técnica aos vários computadores de
sua família, em Paris.
"O Windows o computador do meu pai travava toda
hora", disse Gentil. Isso fez com que ele e Rossmann,
ex-executivo da Apple que participou da criação de
diversas empresas no Vale do Silício, decidissem estudar
a possibilidade de criar um computador com jeito de
eletrodoméstico, dirigido a consumidores com parco
conhecimento de computação.
Os dois acreditam que seja possível vender o
computador da mesma maneira que celulares são
comercializados, com subsídio ao custo do hardware a ser
compensado com base na taxa mensal de serviço.
"O mercado que procuramos é o do segundo computador
doméstico", disse Gentil. "Se você quer uma máquina para
as crianças ou a cozinha, a nossa é boa candidata".
A Zonbu tem sede em Menlo Park, Califórnia. O sistema
vem sem teclado, mouse e monitor, que a empresa venderá
como opcionais. O grupo planeja vender uma versão sem
taxa de serviço, dirigida a criadores de software para o
Linux, por US$ 250, para que eles criem mais aplicativos
dirigidos ao Zonbu.
O sistema operacional Linux, no passado domínio dos
entusiastas da computação, amadureceu a ponto de se
tornar alternativa comercial viável ao Windows e ao
Macintosh, disse Gentil.